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MORTE LENTA

Comparar-se é o mesmo que invejar.


Para ser grande é preciso que haja o pequeno.
A comparação é a força motriz do ser humano. 
E essa mesma força empurra para a morte lenta.
Comparar-se é o mesmo que invejar, e quando invejamos obviamente nos percebemos distantes daquilo que desejamos ser ou ter.
Nossa corrida passa a ser em função do que está longe, gastamos energia nisso, sempre movidos por algo ou alguém que cobiçamos, um modelo a seguir.
O mundo não precisa ser único, com todos exatamente iguais. Deve haver a diversidade, as múltiplas personalidades, mas quem disse que você precisa ser diferente o tempo todo?
Na igualdade ou na singularidade sempre haverá plurais.
Você não tem que ser um ou outro, você só precisa ser VOCÊ.
Se todos fossem grandes onde esconderia-se a sabedoria da simplicidade? 
Se lhe sobra ou falta curvas, se seu soro é positivo ou negativo, se há níveis elevados de QI em você ou se a inteligência lhe é peculiar, tanto faz.
A grande graça desse picadeiro chamado ironicamente de vida, é a morte diária de nossos egos.
É o descobrir-se inferior ao semelhante, é compreender que o pouco dele torna-me muito e o meu muito o torna ainda melhor. 
É saber que somos assim, interligados e desconectos. 
Você pode aceitar-se, mantendo-se vivo enquanto morre diariamente, ou pode arrastar correntes nos calabouços de seu ego.  


Por Solange Lima

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