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Mostrando postagens com o rótulo palco

QUANDO VOCÊ SE PERDE DO PERSONAGEM

Que a vida é um grande palco e a arte de atuar é para todos os seres humanos todo mundo sabe. Até o mais corajoso e atrevido ser que ousa ser quem é, de cara lavada, sem máscara, guarda no fundo um tanto de verdade que não pode ser exposta, preserva-se.  Mas nessa loucura que é fingir ser quem não é, no afã de ser aceito ou imposto, de esfregar verdades possessivas na cara da sociedade, de condicionar-se a ser padrão, muitas vezes nos perdemos de nossos personagens.  Chega uma hora que a atuação fica tão insustentável que perdemos forças, falas, brilho e deixamos de ser o ator principal para sermos meros coadjuvantes, quando não, figurantes de nossas próprias vidas.  Imagine quão exaustivo é observar de fora a sua vida sendo conduzida por outro, a peça de sua história sendo redigita, dirigida e criticada por outrem. De tão exausto você passa a improvisar falas, dispensar direção e confundir ficção com realidade.  Quando você se perde de seu personagem j...

DO AVESSO

QUEM DERA PUDÉSSEMOS SER VISTOS DOS AVESSO As vezes o fel que umedece as palavras está boiando na superfície.  Há doçura no fundo da alma. Presa em um lamaçal de mágoas e afrontes, tentando se desvencilhar do lodo que o medo produz.  No feio encontra-se o bonito. Mas a carcaça gorda ou magra, alta ou baixa, com diploma ou sem, embaça a visão e compromete o entendimento.  Quem dera pudéssemos sair na rua virados do avesso, mostrando quem realmente somos. Talvez muitos solitários estariam acompanhados e muitos deuses gregos andariam só. Um sorriso largo embalado por doce voz e grande explanação de simpatia, pode esconder garras afiadas do mal. Uma sinceridade envolta em embalagem propensa a alto teor de discriminação, pode esconder a mais pura bondade e altruísmo.  Ah! Se pudéssemos desfilar nossos nudes da alma... Talvez não fosse necessário pintá-las, expô-las em redes sociais com belas máscaras.  Certamente não haveriam mais palcos, ...

A COR DA SUA ROUPA

O que importa mesmo é a cor da alma, a pele é só uma roupa. Você é do tipo de pessoa que só usa roupas de grife? É a qualidade que te importa ou como as pessoas irão te ver? Há quem faça diferença entre cor de pele, mal sabem que essa é a roupa que menos importa. O valor real está mesmo na cor das vestes de sua alma. Quando desfilas por aí com seu melhor modelito e impressiona os observadores, certamente escondeu os remendos e farrapos que envolvem sua alma. No grande palco que é o mundo todos atuam e tentam impressionar a plateia com suas perfeições. Bom mesmo seria viver em um mundo onde todos vivessem nus.  A nudez da alma nos permitiria envolver-se com a pessoa real, jamais compraríamos gato por lebre. Tolo de quem tenta inutilmente moldar o outro. Não sabes que oque vês não é de fato? Vais mudar oque não há? Em um mundo caótico que olhar nos olhos tornou-se ficção, vestir a alma de luto é a melhor opção. A cada decepção uma camada de derme é adi...

NOTÍVAGO

Amo a noite porque ela me blinda das influências externas e me coloca em contato com meu eu. Enquanto dorme a moralidade, tomo posse de um mundo só meu. Abraço minha alma e me aconchego no conhecimento. Alimento-me dos banquetes solitários dos poetas. Enquanto descansa a avidez dos operários do sucesso, silenciosamente conduzo a trajetória dos anseios da minha alma. A serenidade da noite acalma minhas expectativas certificando-me de minha humanidade, neutralizando meus super poderes.  Por companhia só as estrelas, que brilham modestamente, sem anular a beleza do espetáculo sobre o negro palco, a caixa preta que parece ser a guardiã das respostas que os homens procuram. Prefiro a noite porque iluminar a claridade não me parece a forma mais autêntica de explorar minha energia. A escuridão da noite é o candeeiro de meus pensamentos. O palco da minha solidão, onde ensaio minhas personagens e aprimoro minha gênesis. REFLEXÃO DO DIA: " Assente-se solitário e ...

O SUPER OBJETIVO DA VIDA

Na mais profunda escuridão, solidão e silêncio, nasce uma personagem. O ator precisa entrar dentro do psicológico dela e traçar uma linha, um super objetivo para dar vida e fazer sentido a sua existência.  A gestação da personagem é complexa e difícil, o parto é tão doloroso e tão prazeroso quanto o nascer de um feto após 9 mêses na barriga de sua mãe. E apesar das luzes e multidão que acompanham ambos, ator e mãe, no momento em que trazem ao mundo a sua "criação", o ator sente-se completamente só, uma solidão em público. Enquanto o público vê o nascimento e crescimento de sua personagem, ele está completamente voltado para dentro de si, procurando sua personagem, mantendo contato emocional e psicológico com ela para que não se perca, não saia da linha de construção e acabe por ser ele próprio em cena. Na nossa vida vivemos sobre o palco, somos quem gostaríamos de ser ou quem as pessoas gostaria que fôssemos e não diferente do ator profissional vivemos em uma solidão em públi...