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MEUS 41 ANOS

E LÁ SE VÃO 40 E TANTOS  Quando era menina sonhava em fazer 15 anos, achava linda essa idade. Depois que completei 15 almejava ansiosamente completar 18 para poder ser livre, tomar minhas próprias decisões, como se isso fosse possível com os pais que Deus me deu, mas não custava sonhar. Ao completar 20 me achava plena. Amava ter 20 e depois 20 e tantos anos, acho que me sentia cantada em versos pelo Fábio Jr em sua canção 20 e poucos anos, já que eu era muito fã dele. Sim, eu também tive um passado negro. Quando completei 30 anos surtei geral. Me soava pesado o som -   TRINTA! Tive minha filha com 29 e achava o máximo me iludir com a ideia de ter sido mãe com 20 e poucos anos, embora fossem 20 e muitos. Achava que não tinha como ficar mais velha do que isso, TRINTA ANOS! E quando menos percebi, quase que em um piscar de olhos eu estava com 40 anos. QUA - REN - TA ! O mais curioso é que diferentemente dos 30, me senti muito bem. Os 40 anos me troux...

SEU MORTO

Cada um com o seu Nunca se falou tanto sobre morte como nos últimos 2 anos. Esse cenário é revelador, nos mostra muito do ser humano e sua individualidade coletiva.  Deseja-se militar por uma igualdade de valorização da vida, no entanto, os mortos anônimos são velados por seus entes queridos que choram a perda e sofrem sua dor isoladamente. Já os famosos, os que merecem atenção, são velados em rede nacional, recebem aplausos, passeatas e abaixo-assinado. A verdade é que a dor é solitária, sempre foi e sempre será, mas os anônimos são solitários e abandonados. O luto é completamente exclusivo, inesperado, individual e sombrio. Tem tempo, cheiro, cor, nuances e muita escuridão. Cada pessoa reage de forma única à sua perda. Há quem vele seu morto até que sua própria morte chegue. Há quem se negue a viver essa separação e siga a vida como se nada a tivesse chacoalhado.  Há mortes que enterram histórias, há outras que enterram traumas, outras, desilusões, sonhos, planos e outras ta...