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FAXINA NA ALMA

Escrever é como colocar o dedo na garganta e vomitar. Pode-se ver pedaços do que sua alma ingeriu. Por mais que limpe, arrume, organize a sujeira toda, o odor denuncia o teor do alimento. O efeito para quem escreve é o mesmo para quem provoca um vômito; alívio! Todas as toxinas são lançadas fora, embora parte dela tenha sido absorvida. Se o homem pudesse imaginar que um dia alimentará os vermes ou saciará as chamas, aplicaria-se a enfeitar sua alma. Para o corpo água e sabão, para a alma perdão. Aliviar-se nas palavras é como passar perfume para disfarçar o mal cheiro. É expor a ferida para  higienização. Tal qual a paixão, que de tão inflamada necessita expandir-se para fora do coração, assim são os pensamentos que pulsam freneticamente até saltarem para o papel. Numa faxina explicita de sua alma, o escritor por vezes acaba lavando a consciência de quem o lê. Com muita propriedade escreveu Caio Fernando Abreu: " Quero estar perto de pessoas que sabem col...