Pular para o conteúdo principal

FAXINA NA ALMA

Escrever é como colocar o dedo na garganta e vomitar.
Pode-se ver pedaços do que sua alma ingeriu.
Por mais que limpe, arrume, organize a sujeira toda, o odor denuncia o teor do alimento.
O efeito para quem escreve é o mesmo para quem provoca um vômito; alívio!
Todas as toxinas são lançadas fora, embora parte dela tenha sido absorvida.
Se o homem pudesse imaginar que um dia alimentará os vermes ou saciará as chamas, aplicaria-se a enfeitar sua alma.
Para o corpo água e sabão, para a alma perdão.
Aliviar-se nas palavras é como passar perfume para disfarçar o mal cheiro.
É expor a ferida para  higienização.
Tal qual a paixão, que de tão inflamada necessita expandir-se para fora do coração, assim são os pensamentos que pulsam freneticamente até saltarem para o papel.
Numa faxina explicita de sua alma, o escritor por vezes acaba lavando a consciência de quem o lê.
Com muita propriedade escreveu Caio Fernando Abreu:"Quero estar perto de pessoas que sabem colocar palavras maduras nas minhas frases verdes."
E não é mesmo estranho o ser humano?
Agita-se dentro de si num visível esforço para preserva-se da intromissão alheia, mas busca traduções de sua alma na leitura da exposição da alma de seu semelhante.

REFLEXÃO DO DIA:
"O que possui o conhecimento guarda as suas palavras, e o homem de entendimento é de precioso espírito". 
(Provérbios 17:27) - http://www.bibliaonline.com.br/acf/pv/17
  • para entrar me contato com Solange Lima mande e-mail para "oblogdasolangelima@hotmail.com"

Comentários

Postagens mais lidas

VOCÊ É LÂMPADA OU VELA?

Qual a fonte de sua luz? Ser vela é poético e altruísta.  Tem luz própria e sua luz é compartilhada de forma a clarear quantos ambientes forem possíveis. Doa-se em favor do outro. Porém, desgasta-se no processo, se consome até que não reste mais nada, nenhum facho de luz.  A fonte é própria e finita, não há onde recarregar.  Ser lâmpada é iluminar sem se desgastar.  É ser luz buscando energia em outra fonte.  A fonte é Jesus , a luz do mundo .   A lâmpada se ilumina e leva a luz para os outros. Pode iluminar quantas pessoas e ambientes forem preciso, não há desgaste pois tem onde recarregar.  Tal qual a vela, a lâmpada é altruísta e doa-se em favor do outro, mas tem consciência que não é capaz de ser sua própria fonte de energia, que não consegue iluminar o mundo sem se desgastar.  Reconhece sua limitação e busca se alimentar antes de alimentar o outro. Você é vela ou lâmpada?  Você ilumina ou clareia?  ...

SEU MORTO

Cada um com o seu Nunca se falou tanto sobre morte como nos últimos 2 anos. Esse cenário é revelador, nos mostra muito do ser humano e sua individualidade coletiva.  Deseja-se militar por uma igualdade de valorização da vida, no entanto, os mortos anônimos são velados por seus entes queridos que choram a perda e sofrem sua dor isoladamente. Já os famosos, os que merecem atenção, são velados em rede nacional, recebem aplausos, passeatas e abaixo-assinado. A verdade é que a dor é solitária, sempre foi e sempre será, mas os anônimos são solitários e abandonados. O luto é completamente exclusivo, inesperado, individual e sombrio. Tem tempo, cheiro, cor, nuances e muita escuridão. Cada pessoa reage de forma única à sua perda. Há quem vele seu morto até que sua própria morte chegue. Há quem se negue a viver essa separação e siga a vida como se nada a tivesse chacoalhado.  Há mortes que enterram histórias, há outras que enterram traumas, outras, desilusões, sonhos, planos e outras ta...