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O QUE TEM LÁ DENTRO, TE IMPORTA?

INCRÍVEL COMO O SEU LADO DE DENTRO PODE ASSUSTAR A QUEM SÓ SE IMPORTA COM O QUE TEM DO LADO DE FORA.



Somos quem somos?
Não. Quase nunca o somos.
Isso por que para ser quem somos em público, temos que ter coragem, determinação e uma vontade enorme de remar contra a maré.
Ser aprovado e reverenciado, admirado, aplaudido, apoiado, certamente é a opção mais confortável para viver em um mundo cujo a vida já não é muito fácil.
Se amar com todos os defeitos e qualidades, independente do que pensam a seu respeito, talvez seja a melhor maneira de passar pela vida sem ser assassinado pelos julgamentos e críticas.
As redes sociais são hoje a vitrine para a aprovação ou desaprovação imediata de suas atitudes, pensamentos, posicionamentos e imagem.
Se você posta uma foto, imediatamente as pessoas se sentem no dever de comentar, seja aprovando ou reprovando sua imagem. É como se fosse uma lei, uma regra. Tem que comentar.
Ao cortar meu cabelo, ou melhor, rapá-lo, causei uma reação hilária. Percebi que para ser igual, tenho que sustentar uma cabeleira, seja ela lisa, crespa, enrolada, loira ou negra, o fato é que tenho que ter cabelos. Atualizei minha foto de perfil pelo simples fato de querer ser exatamente quem sou ou estou no momento. Olhar para a pessoa com cabelos no meu perfil do facebook me mostrava alguém que agora não sou, então quis ser eu mesma. Mas parecia que eu havia colocado uma legenda: "Por favor, me digam se aprovaram." 
Isso me levou a pensar sobre o que de fato tem valor.
Será que quem eu sou, o que há dentro de mim é importante, ou apenas o que eu expresso do lado de fora é o que pesa na balança? 
Não somos, estamos. 
A sua essência pode ser a mesma, bem lá dentro, mas a vida e suas nuances, lhe fazem, esculpem, te levam a ser várias pessoas em vários momentos diferentes.
Hoje, sou essa pessoa. De alma despida. 
Livre, leve, sem amarraras, sem peso, nua. 
E realmente não me importo com cabelos, eles crescem. Posso alisá-los, deixá-los crespos, usar peruca, apliques, tanto faz. O que de fato me importa, é quem eu sou por trás deles.
Viver implica em se relacionar, porém, se relacionar exige muito amor próprio e ao próximo, o que não significa dizer que preciso agradar ao mundo. 
Então, se um dia eu resolver raspar todo o cabelo e sair por aí vestindo apenas batom preto, roxo, azul, laranja, uva com bolinhas pink e brincos até o joelho... seja lá como eu vestir minha alma, significa apenas uma coisa. Que eu sou quem sou, e não me importo o que pensam que eu sou.
Quem me ama sabe ultrapassar a casca e acariciar a essência beneficiando-se dela. 
E é só isso o que realmente importa.


Por Solange Lima

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