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MARIA SOLIDÃO

A SOLIDÃO É UMA EXCLUSIVIDADE DA ALMA



A alma afligida por motivos tolos recorrentes, potencializados inconscientemente, vive uma silenciosa exclusividade.
Não suporta convier com a normalidade ou a loucura alheia, tão pouco suporta sua insanidade.
O abismo é logo ali, dentro de si.
Maria solidão é sozinha na multidão.
Volta-se para as dores de sua alma e acalenta seus escombros mais sombrios.
São diversas as razões que a fazem peregrinar pelo silencioso barulho ensurdecedor de sua alma e por gélidas noites, sem que haja manhã, tarde, raios de sol.
Na janela ferrolhos fixos, não se atreveria a movê-los em direção a liberdade. 
Poderia quebrar as algemas que a prendem ao algoz de sua alma, mas escolhe agarrar-se a tudo o que remete a ele para garantir a platéia de sua amarga solidão acompanhada.
Não há quem baste, não há o que a supra, não há interesse.
Vestida na roupa de sua personagem, carrega consigo o resultado do laboratório de sua preparação.
Maria solidão sou eu, você, somos todos nós no meio da multidão, em todo lado, em toda parte, dentro de cada um.
A pior solidão é estar acompanhada de qualquer um que não seja você mesmo.
Não há coerência tão pouco justiça em esperar de alguém o sorriso de sua alma.
Solidão é estado de espírito. 



Por Solange Lima

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